Eu não fui daqueles que considerou o Euro 2004 um desperdício de dinheiro. Vi várias vantagens em termos sido nós a organizar o torneio e, de um modo geral, não me importaria, pelas mesmas razões, que fôssemos responsáveis pelo Mundial de 2018, em parceria com a Espanha. Mas não nestas condições. Para mim, uma parceria deste género só é digna quando ambos os países estão em pé de igualdade e não é isso que acontece. Para mim, não é digno que, num Mundial organizado por dois países, seja apenas um deles a receber a Final e o Jogo de Abertura. Que sentido teria feito se, no Euro 2004, ambos os jogos tivessem sido em Lisboa, relegando o Porto para um patamar, lá está, muito pouco digno? Eu dispenso que Portugal seja um apêndice da Espanha, funcionando apenas como um meio para ela conseguir uma organização que talvez não fosse possível de outra forma. Assim não quero. Porque, afinal, a melhor organização até hoje foi a portuguesa e, se calhar, o que nos falta para deixarmos de vez de nos sentirmos inferiores à Espanha é darmo-nos ao respeito, deixando de nos contentar com migalhinhas. Apenas e só isso.

0 pseudocomentário(s):
Enviar um comentário