Tenho-me apercebido de alguns comentários negativos relativamente ao 25 de Abril, a maior parte deles sem que exista uma explicação para tal posição. Não estou a pensar nos saudosistas (com todo o sentido negativo que o termo pode adquirir) que consideram o Salazarismo a Idade de Ouro portuguesa, mas sim naqueles que, adorando a democracia, criticam a revolução. Ora, uma revolução raramente tem os resultados esperados. A mudança que dela advém pode ser negativa ou positiva, mas as suas consequências a médio e longo prazo são incontroláveis e poucas vezes obedientes à simples equação causa-efeito. É por isso que não compreendo que se culpe o 25 de Abril e os que nele participaram pelo actual estado do país. A revolução pode ter permitido, em última instância, que a sociedade se transformasse numa bandalheira (se é que se transformou), mas prefiro a liberdade de poder observar e criticar isso à proibição de falar de factos que ninguém podia observar. Eu sei que não vivi antes da Revolução dos Cravos, mas isso não me impede de constatar que, provavelmente devido à péssima situação político-económica que se vive, se tem vindo a idealizar, pouco e pouco, uma ditadura. Posso não ter mais de 40 anos, mas sei o que a História me ensinou sobre os regimes ditatoriais: embora todos critiquem os ditos regimes, os grandes ditadores da História subiram ao poder em momentos de crise, quando os seus eleitores julgaram, precisamente, que a sociedade atingira um ponto sem retorno que só um (pseudo)salvador da pátria poderia alterar.

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