Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Jornais, Comentários e Greve

Os jornais online têm, para mim, duas vantagens: a capacidade de actualizar as notícias ao minuto e o facto de darem oportunidade aos leitores de comentarem todos os artigos. Nunca comentei uma notícia e não está no meus planos fazê-lo, mas não resisto a ler os comentários que vão proliferando por aí. Fascina-me a forma como um artigo sobre futebol, ou sobre os assuntos deveras importantes que o rodeiam, é capaz de chegar aos 200 comentários. É igualmente fascinante ver que basta falar de cultura, por exemplo, para praticamente não existirem comentários. Se bem que às vezes mais valia as pessoas ficarem caladas. Sempre me irritou a forma como as pessoas fazem juízos de valor baseadas, muitas vezes, apenas nas suas suposições. Mais do que isso, como têm a certeza que têm razão, dando-se ao luxo de insultar os que têm uma opinião diferente da sua. E como, quando confrontados com um comentário que pode ou não estar correcto, mas que é feito com educação, acusam o seu autor de se achar superior apenas porque provavelmente, acreditam eles, tem um canudito qualquer. A única coisa positiva é que, de vez em quando, acabam por provocar uma boa risada.

Isto não quer dizer que eu ache que tenho sempre razão. Não tenho. E têm o direito de discordar do que eu disse acima, desde que o façam educadamente. Tal como eu tenho a minha opinião, vocês têm a vossa e todos temos a beneficiar se houver um debate saudável de ideias. Pelo menos, é o que eu acho. Tal como eu gosto de convencer os outros, também gosto que os outros me convençam.

Posto isto, deixem-me falar da greve dos professores. Não vou entrar na guerra dos números (para quando uma greve em que "patrão" e "empregados" estejam de acordo?). Nem sequer vou falar das reinvindicações dos professores e da atitude intransigente do Ministério da Educação que, numa democracia, ignora o protesto de milhares. Vou falar, antes, da reacção dos pais ao facto das escolas públicas fecharem. Desde quando é que as escolas básicas e secundárias são um jardim-de-infância ou um ATL? Obviamente que todos têm de trabalhar, mas os filhos são deles, não dos professores. Esses têm os seus próprios filhos para educar e para tomar conta. Não esperam que outro professor o faça por eles, porque sabem que a única obrigação de um professor é ensinar. É esse, aliás, o objectivo da escola. A educação de uma criança/adolescente é da competência dos pais. Engraçado de como muitos pais só se lembram de como a escola é importante quando têm de ficar com os filhos em casa (coisa que, ultimamente, também se tornou difícil para os professores), esquecendo que também é importante que esta dê ferramentas aos seus filhos para que estes possam fazer alguma coisa da vida. Nos outros dias, apenas se importam, quando se importam, que o seu filho apareça com resultados, não se interessando se ele sabe realmente alguma coisa. O problema é que parece que não são os únicos a adoptar esta política. Pode ser que o país que todos dizem defender se queixe disso um dia destes.

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